Cervejoteca – Cervejas Especiais

Depois de beber diga: Amém

Muito conhecidas dos apreciadores e muito copiadas por abadias ou cervejarias comerciais, as cervejas trapistas podem ser consideradas alguns dos melhores exemplares cervejeiros que temos no mercado.
Diferente do que muitos pensam, Trapista não é um estilo de cerveja, mas sim uma designação de origem. Os trapistas são uma ordem de monges beneditinos e seu primeiro mosteiro, a Abadia de La Trappe, foi fundada em 1662, na Holanda.
Muitos são os mosteiros dessa ordem, para sua sobrevivência produzem licores, sabonetes, pães, queijos e sete desses mosteiros são certificados com um selo Trapista para a produção de cerveja.
Algumas cervejas se classificam como cerveja de abadia, de fato outras ordens religiosas não trapistas também produzem cervejas, mas outras tantas cervejarias comerciais também produzem cervejas baseadas nessas tradicionais, usam assim erroneamente o termo abadia para o seu estilo, uma vez que esse também não é uma designação de estilo.
Além da holandesa La Trappe fazem parte dessa lista as belgas: Orval, Westmalle, Achel, Rochefort, Chimay e Westvleteren. Essa ultima tem a sua venda restrita à Abadia, as outras são encontradas no Brasil.
São cervejas complexas, bastante malteadas e desenvolvidas para serem consumidas, no lugar de alimentos sólidos, pelos monges que eram obrigados a períodos de jejum durante o ano. Vem dai a expressão pão líquido. Outras eram servidas somente em dias de festas e comemorações especiais.
Os consagrados estilos Belgian Triple e Belgian Dubbel tem essa origem.
Somente para ilustrar, outras três abadias: a francesa Mont des Cats; a austríaca Stift Engelszell e a holandesa Abdij Maria Toevlucht devem ser as três próximas cervejas declaradas Trapistas.
Minha sugestão dessa edição é a minha cerveja preferida, a minha Top 1, difícil escolher dentre tantas opções maravilhosas, mas a Orval ganha esse lugar devido à sua complexidade e ao fato dessa cerveja continuar envelhecendo em garrafa e estar praticamente sempre diferente da vez anterior que eu degustei.
É uma cerveja fora de estilo que surpreende os conhecedores de vinhos devido à notas que vem da levedura selvagem chamada Brettanomyces que é adicionada na garrafa para uma refermentação gerando características únicas, inclusive animais. Única trapista com essas características.
Minha sugestão é um copo de boca larga e a Orval simplesmente fresca, nada de gelada, quanto mais alta for a temperatura de serviço mais fácil será identificar os aromas e sabores dessa maravilha.

Ficha técnica:
Orval
Cervejaria: Brasserie d’Orval
Origem: Bélgica
Estilo: Belgian Specialty Ale
Teor alcoólico: 6,9 %
Vai bem com: queijos de massa cremosa, magret de pato, cortes magros de javali, codorna ou frango envoltos em bacon e outras preparação que tenham a sua gordura mas não sejam preparados com molhos presados.